Sobre a Paranatação

O movimento paralímpico teve sua origem em 1948, quando o neurocirurgião alemão Sir Ludwig Guttmann organizou uma competição esportiva entre 16 homens e mulheres cadeirantes veteranos da Segunda Guerra Mundial nos jardins do hospital onde trabalhava, em Stoke Mandeville, na Inglaterra.

Visando a reabilitação física dos pacientes, o médico idealizador do evento promoveu uma disputa de tiro ao alvo com arco e dardos, a fim de fazer uso da prática esportiva como terapia para recuperar a dignidade e a autoestima dos ex-combatentes. Quatro anos mais tarde, competidores da Holanda uniram-se aos Jogos e, assim, nasceu um movimento internacional voltado para atletas deficientes.

Em 1960, Roma sediou a primeira “Olimpíada dos Portadores de Deficiência”, que contou com cerca de 400 desportistas cadeirantes de 23 países, Nesta ocasião, foram disputadas as modalidades de tiro com arco, atletismo (lançamento, pentatlo e arremesso), tiro com dardo, sinuca, natação, tênis de mesa, basquetebol e esgrima em cadeiras de rodas. O termo “Jogos Paralímpicos” só foi aprovado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), a partir de 1984.

Em 1972, atletas com deficiência visual passaram a competir em provas de demonstração e, apenas no evento seguinte, disputaram medalhas. Desde 2012, as Paralimpíadas foram definitivamente incorporadas às Olimpíadas, recebendo a mesma infraestrutura, logística e organização. Atualmente o evento contempla atletas com deficiência física, visual e intelectual.

Na 15ª edição dos Jogos Paralímpicos do Rio 2016, tivemos a participação de 4500 atletas de 176 países que disputaram os 526 eventos das 23 modalidades.

O Comitê Paralímpico Internacional (IPC), é o órgão responsável pelas regras e eventos oficiais do paradesporto. Com o intuito de elaborar uma forma justa de disputa, o IPC criou um sistema de classes desportivas baseado no tipo de deficiência e no grau de comprometimento dos atletas para cada modalidade. Este sistema de classificação determina se o indivíduo é elegível para competir nas modalidades paradesportivas.

Na Paranatação, os atletas são agrupados em 14 classes de acordo com o grau de limitação que possuem para esta atividade. Uma junta de classificadores funcionais e especialistas realiza uma bateria de testes clínicos, técnicos e práticos que, através de uma pontuação, qualifica os nadadores conforme segue:

 

  • Deficiência Física = 1 a 10
  • Deficiência Visual = 11 a 13
  • Deficiência Intelectual = 14

As classes sempre iniciam com a letra “S” (de swimming) e na sequencia recebem uma numeração, identificando desta forma o grupo ao qual este nadador pertence. Quanto ás provas, a Paranatação contempla as seguintes classes:

 

  • S – Nado livre, costas e borboleta: S1 a S10, S11, S12, S13, S14;
  • SM – Nado medley: SM1 a SM10, SM11, SM12, SM13, SM14;
  • SB – Nado peito: SB1 a SB9, SB11, SB12, SB13, SB14.

Quanto maior o grau de deficiência do nadador, menor é a numeração que ele recebe. As classes S1 e S2 concentram atletas com severo comprometimento nos quatro membros ou grave lesão medular. Nas classes seguintes, S3 a S5, competem atletas com paralisia cerebral, lesões medulares menos severas, má formação e amputações. Nadadores classificados entre S6 e S10, possuem algum tipo de paralisia, nanismo, amputações, ou má formação de membros.

Quanto aos deficientes visuais, o S11 abrange especificamente os nadadores cegos e por regra precisam fazer uso de um tapper – em geral é um auxiliar técnico – que de posse de um bastão com ponta arredondada, toca o nadador para lhe indicar quais são os momentos da virada e chegada. Além desta peculiaridade, os nadadores desta classe precisam fazer uso de óculos com lentes tamponadas para garantir a igualdade de condições entre os mesmos.

Na classe S12 encontram-se os nadadores com pouca percepção visual, e o S13 são aqueles com lesões oculares mais brandas.

A classe S14 é destinada aos nadadores com deficiência intelectual e síndrome de down.

No Brasil, o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), é o órgão responsável pelo amplo desenvolvimento e popularização do movimento paralímpico no país, além da organização e realização dos principais eventos de cunho nacional, bem como a participação brasileira nos eventos internacionais, Jogos Parapanamericanos e Paralimpíadas.

Em 2016 a Federação Aquática Paulista (FAP) iniciou o seu processo de inclusão do segmento paradesportivo ao realizar provas de Paranatação durante o Campeonato Paulista Infantil de Inverno.

O IPC-Swimming utiliza na Paranatação as mesmas regras da FINA, com algumas adaptações específicas nas saídas, viradas e chegadas. Dependendo da deficiência, os nadadores podem largar já dentro da piscina, sentados, no bloco de partida ou ao lado deste.

Os eventos oficiais são disputados nas seguintes provas:

 

  • 50m, 100m, 200, 400m livre;
  • 50m e 100m borboleta;
  • 50m e 100m peito;
  • 50m e 100m costas;
  • 150m e 200m medley;

As provas de revezamento são divididas em duas categorias: 20 e 34 pontos, cuja somatória da numeração das classes dos nadadores é utilizada para composição de cada equipe. São disputadas no nado livre, medley e revezamento misto (2 nadadores masculino e 2 feminino).

Em se tratando de conquistas, a Paranatação brasileira obteve suas primeiras medalhas na Paralimpíada de 1984, quando Maria Jussara Matos e Marcelo Amorim ganharam juntos, 1 medalha de ouro, 5 pratas e 1 bronze.

Em 2004, Clodoaldo Silva, alcançou grande destaque internacional ao conquistar 6 medalhas de ouro em Atenas.

Atualmente, o nadador paulista Daniel de Faria Dias é o maior nome do paradesporto mundial. Conquistou 24 medalhas paralímpicas: Em Pequim 2008: 4 ouros, 4 pratas, 1 bronze. Em Londres 2012: 6 ouros. No Rio 2016: 4 ouros, 3 pratas, 2 medalhas de bronze.

Daniel, ainda foi eleito por 3 vezes o melhor atleta paralímpico do mundo, recebendo o Premio Laureus em 2009, 2012 e 2016.

Por Mauricio de Oliveira
Janeiro – 2017

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